Gideões ''mercenários'' 2º parte

by Enio Alann on Nov.22, 2009, under


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Certamente muitos dos leitores estão pensando o quanto sou atrevido em criticar um evento missionário que trás o "bem" a tantas pessoas que não conhecem o Senhor Jesus. O gideões missionários, é um evento que ocorre uma vez ao ano em Camburiú SC. É um dos maiores eventos cristãos do Brasil com vários dias de pregações, louvores e "muita, muita oferta". O gideões se tornou tão idolatrado, que o sonho de qualquer pregador ou cantor é um dia poder ministrar nas tendas dos gideões. Me refiro tendas, porque ao lado do ginásio principal, tendas são montadas com pregações uma após a outra porque no ginásio seria impossível alguém comum pregar visto que apenas os que Deus chamou ou seja, os mais ricos e influentes podem colocar os pés.


A Meca cristã
O evento é tão idolatrado no meio pentecostal que está se tornando ou por assim se dizer, já se tornou, a Meca evangélica. Meca é uma cidade muçulmana da Arábia Saudita em que um fiel islâmico deve ir no mínimo uma vez na vida para participar da festividade chamada Hajj. No meio pentecostal você sempre ouvirá pessoas dizendo coisas como "você tem que ir lá ver", "almenos uma vez na vida um crente tem que ir", "a unção lá é muito grande" e por ai vai. Conheço um homem que deixa de pagar as dívidas para ir nos gideões todo ano e tenho certeza que muitos desses estão espalhados por ai. Não é a toa que festividades pentecostais cheias de gritos e pulos lotam tanto os ginásios, pois sempre vão haver pessoas que resistem a Palavra de Deus e se inclinam para suas próprias cobiças. Que graça a pessoa sente em ver pregadores milionários gritando desenfreadamente e falando tanta abobrinha? Sem contar as mentiras uma após outra, coisas como "Deus vai te levantar", "Deus vai te curar", "Deus vai, vai vai....". É tanta promessa de Deus que os fiéis não devem se lembrar nem da metade quando acaba o evento. Como uma pessoa fala para 170 000 pessoas que Deus vai te levantar? Isso é incoêrencia e sensacionalismo puro! 



A fé
Se tratando de fé e cura não é diferente pois em uma multidão de mais de 170 mil pessoas, Deus cura 2 ou 3, fazem questão de levarem essas 3 na frente para dizerem que "Deus fez grandes coisas nessa noite". É bem verdade que 

algumas também são curadas sem que ninguém saiba, mas isso é uma minoria. Imagine que 20 pessoas foram curadas realmente, seria uma probabilidade de 170 000 - 20 (cento e setenta mil por vinte) fora a maioria que vão para casa sem sentirem as dores da infermidade pensando que foram curadas sendo que a chamada "sugestão" corre desenfreada por lá. Sugestãoé o nome Psiquiátrico dado para a ocasião onde a pessoa tem tanta certeza de estar curado que os sintomas da doença desaparecem mas não a doença em si. Talvez você pense que isso é bom mas os maleficios tragos são maiores, pode ter certeza.

As extrapolações que acontecem nos púlpitos são tão grandes que assustam até mesmo pentecostais mais "velhos de casa", imagine o que pensa o ímpio? Para eles, esse tipo de escândalo trago ao evangelho, nada tem a ver com o escândalo referido por Jesus.



O farisaísmo (Mt 23)
Todos sabemos que fariseus eram aqueles religiosos judaicos que se achavam santos pelos trajes e pelo exterior, assim como os frequentadores dos gideões. Eram cheios de orgulhos por serem mais cuidadosos com a lei, assim como os frequentadores dos gideões que pensam ser mais observadores do evangelho. Tinham ótimos costumes humanos como lavarem as mãos antes de comerem, assim como os frequentadores dos gideões têm, pois alguns costumes são bons mas nada servem para Cristo que repreendeu o bom costume dos fariseus. Gostavam de assentarem nas primeiras cadeiras para serem vistos pelos homem, como no gideões mesmo. Atavam fardos pesados nas pessoas como os frequentadores dos gideões fazem. Praticavam boas obras para serem vistos assim como fazem nos gideões onde fazem questão de falarem "estou doando isso". Amavam as saudações nas praças para serem vistos como mestres assim como nos gideões amam as batidinhas nas costas pois é o "conferencista tal". Não entravam no reino dos céus e não permitiam ninguém entrar assim como os preletores dos gideões que sabem a verdade não a encaram e não deixam ninguém saber. Faziam longas orações nas casas das viúvas para se justificarem assim como fazem os pregadores dos gideões que afirmam pregarem para apenas uma pessoa para justificar que apenas pregam para multidões. Diziam que se alguém jurasse pelos bens do santuário tinha obrigações assim como nos gideões, pois se fazer um voto em dar determinada quantia, fica devedor do gideões e de Deus. Davam o dízimo até das pequenas coisas assim como os frequentadores dos gideões. Coavam um mosquito e engoliam um camelo como fazem nos gideões. Limpavam o exterior mas o interior só tinha coisas ruins assim como muitos nos gideões. Exteriormente pareciam justos mas interiormente estavam cheios de hipocrisia como os frequentadores dos gideões. Diziam que se estivessem no passado não fariam o que seus ancestrais fizeram quando mataram os profetas, assim  como nos gideões que criticam tanto os fariseus que eram contra Jesus como se eles não fizessem o mesmo se estivessem na época. Gostavam de ficar com seus rostos transfigurados para todos verem que jejuaram, como no gideões afirmam fazer. Amavam fazer orações nas praças públicas para serem vistos assim como nos gideões fazem.
Os religiosos dos gideões são tão parecidos com os fariseus que até aquela vontade de fazer discípulos de todas as nações não parece que veio de Cristo mas do farisaísmo mesmo. Vamos ler a passagem abaixo:
"Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque rodeais o mar e a terra para fazer um prosélito; e, uma vez feito, o tornais filho do inferno duas vezes mais do que vós!" (Mateus 23.15)
O texto nos mostra o esforço dos fariseus em conseguir um discípulo, semelhante o esforço do gideões que apresentando o evangelho para as pessoas de outros países que não conhecem Jesus, também apresentam suas doutrinas com mandamentos de homens.


Os preletores
"Ai do mundo, por causa dos escândalos..."(Mateus 18.7)
A coisa mais fácil é achar vídeos na internet cujos fantoches são os pregadores e cantores do gideões. Uma vez um amigo meu estava mostrando no celular um vídeo de um pregador dando má nota com gritos e gestos esquisitos. Logo um daqueles fanáticos que gostam de darem lições de moral sem terem moral alguma, falou que não deveriam mostrarem aquele vídeo pois estavam falando mau dos pregadores dos gideões. Outra pessoa virou e falou "uma coisa você tem que concordar, o vídeo é muito engraçado, e se quiserem que não falem deles não fiquem dando vacilos ainda mais em publico". Enquanto todos os fanáticos nos cultos estão prezando pela decência 0, sabem o que as pessoas de fora estão pensando? Que são um bando de loucos e desequilibrados e podem até usarem autoridade bíblia pra isso:
"Se, pois, toda a igreja se reunir no mesmo lugar, e todos se puserem a falar em outras línguas, no caso de entrarem indoutos ou incrédulos, não dirão, porventura, que estais loucos?" (1 Coríntios 14.23)
O texto acima é muito claro mas o problema é que pentecostais são submissos apenas à algumas partes da bíblia especialmente as que lhes convém. Incrível como os preletores dos gideões gostam também de colocarem músicas do paganísmo como fundo musical para pregarem, pois são tão contra as musicas seculares. 


Os cantores
Três são os tipos de músicas existentes no mundo cristão e são elas: adoração, louvor e secular. Secular é aquela música que nada tem a ver com religiosidade. Louvor é aquela música que demonstra gratidão por um ato divino e adoração é aquela que apenas engrandece a Deus. Para conseguir distinguir uma adoração de um louvor, é só você observar uma coisa: Música de adoração nunca entra outra pessoa além de Deus ou seja, se na música estiver coisas como Deus fez por mim ou, Ele me ajudou, não está se tratando de adoração mas sim de louvor. É muito raro você ouvir um hino de adoração à Deus nos gideões e até os louvores estão desaparecidos pois sempre são hinos vingativos, de auto-ajuda e que propõe um tal de Jeová que mata e fere todos que tocam nos seus "supostos" ungidos. Um cristão verdadeiro não usa o termo Jeová, derivado do tetragrama YHVH que para ser pronunciado é necessário (meio que no chute) se acrescentar consoantes o qual ficou sendo escrito por Javé ou Jeová. A inutilidade desse nome se dá ao fato de que Deus se revelou ao mundo e trouxe o maior nome pelo qual podemos ser salvos:
"Este Jesus é pedra rejeitada por vós, os construtores, a qual se tornou a pedra angular. E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos." (At 4.11,12)
Fico triste em ver como os cantores estão tão corrompidos pelo mundo. Cantores que antes cantavam adorações, lindas melodias e louvores, quando começaram a fazer parte dos gideões começaram a cantar hinos extravagantes e escandalosos que sinceramente me dão vergonha.


 Conclusão
O fundador desse trabalho missionário é o pr Cesino Bernardino e certamente sua intenção foi uma das melhores possíveis, espero. A obra missionária é algo que muitos estão deixando totalmente de lado e priorizando tantas outras coisas. Pena que a falta de decência e ordem se tornou incontrolável e a mensagem pregada não é mais pregada mas gritada. Muitas e muitas vezes eu vi pessoas tão cansadas pela grande jornada de peregrinação que chegam a desmaiarem e são carregadas à frente pensando estarem "arrebatadas". Pessoas suadas e cheirando mal de tanto gritarem, pisões nos pés, desmaios, emocionalismo e delírios fazem parte do cotidiano do gideões tornando um ambiente não propício para a família. Outro dia estava ouvindo um pregador pregando no gideões, e me assustei com seus gritos e berros que pareciam mais de terror. 
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